segunda-feira, 12 de março de 2007

QUE SABOR TEM O SEU AMOR?!




...AINDA AMO VOCÊ?!

E o AMOR agora tem prazo de validade?
Pelo jeito, pelo que andam dizendo por aí...Sei não viu?!
Olha aí a embalagem do seu "amor" bem direitinho...Só pra verificar se tá dentro do prazo.

Vou aproveitar e me deliciar, antes que se estrague...
E como lembrar do gosto gostoso que esse daqui tem, se já provei tantos outros e nem me lembro mais que gosto tinham, ou tem?!
Será que com você será da mesma forma?

As lembranças também tem gosto
Por isso para sempre serás lembrado e amado...
E qual o sabor desse AMOR?
...
Tem sabor de amizade, gostosa e verdadeira
Sabor de idas e vindas
Tentativas
Risos, sorrisos..
Lamentos...
Gosto de estrada depois das 23:00h...hora de voltar pra casa.

AINDA AMO VOCÊ!!!!
...Para sempre!




sábado, 10 de março de 2007

"NEO - AMOR"

"Mas...Afinal, o que é o amor?"
Eu penso, penso e digo: "Sei lá..."
Não sei, ninguém sabe,
mas há no ar um lamento profundo pelo fim do sonho platônico de harmonia, de felicidade, de happy end.
O amor, e tudo mais, está perdendo a transcendência.
Não existe mais o amante definhando de solidão,
nem Romeus nem Julietas, nem pactos de morte,
não existe mais o amor nos levando para uma galáxia remota,
nem a sagrada simbiose que nos traria a eternidade feliz.
O amor não tem mais porto,
não tem onde ancorar,
não tem mais a família nuclear para se abrigar.
O amor ficou pelas ruas, em buscas de objeto, esfarrapado, sem rumo.
Não temos mais músicas romântica,
nem o lento perder-se dentro de "olhos de ressaca",
nem o formicida com guaraná.
Mas, mesmo assim, continuamos ansiando por uma paixão impossível.
Existe o amor, claro.
O que chamamos de "amor" vive dentro de nós como uma fome "celular".
Está entranhado no DNA, no fundo da matéria.
É uma pulsão inevitável,
é uma reprodução ampliada da cópula entre o espermatozóide e o óvulo, se interpenetrando.
Somos grandes células que querem se reunir, separadas pelo sexo que as dividiu.
O resto é literatura.
Mas, onde anda, hoje em dia, está pulsão chamada "amor"?
Bem...Vamos lá:
Uma das marcas do século 21 é o fim da crença na plenitude, na inteireza,
seja no sexo, amor e na política.
Não adianta nos lamentarmos, pois estamos diante de um mundo afetivo e sexual muito novo,
que muda veloz como a tecnologia.
Se isso é um bem ou um mal, não sei. Mas é inevitável.
Temos de parar de sofrer romanticamente porque
"acabou o amor" (ou mesmo o paraíso social...) ou, ao menos ao antigo amor.
O pensamento afetivo, amoroso, ou filosófico continua lamentando uma unidade perdida.
Continuamos amantes ou filósofos
- a sonhar como uma volta ao passado harmônico.
Temos uma nostalgia lírica por alguma coisa que pode voltar atrás.
Não volta. Nada volta atrás.
Há que perder esperanças antigas e talvez celebrar um sonho mais trágico, efêmero. Em tudo.
Não adianta lamentar a impossibilidade do amor.
Temos de celebrar o "neo-amor."
Cada vez mais só o parcial, o fortuito é gozoso. Só o parcial nos excita.
Temos de parar de sofrer por uma plenitude que não chega nunca.
Não há mais "todo"; só partes.
O verdadeiro amor total fica cada vez mais impossível,
como as narrativas romanescas.
Hoje em dia, não há mais noção do que seria a felicidade, como antigamente.
O que é ser feliz?
Onde está a felicidade no amor e sexo? No casamento?
Sem a promessa do amor eterno, tudo vira uma aventura.
Em vez da felicidade,
o gozo rápido do sexo ou o longo sofrimento gozoso do amor,
só as fortes emoções,
a deliciosa dor,
as lágrimas, hotéis, motéis,
perdas, retornos,
desertos, luzes brilhantes ou mortiças,
a chuva, o sol, o nada.
O amor hoje é um cultivo da "intensidade" contra a "eternidade".
É o fim do happy end.
É bom que acabe esta mentira do idealismo romântico americano,
para légitimar a família e a produção,
pois, na verdade, tudo acaba mal na vida.
Não se chega a lugar nenhum porque não há onde chegar.
O amor, para ser eterno, tem de ficar eternamente irrealizado.
A droga não pode parar de fazer efeito, e, para isso, a "prise" não pode passar.
Aí a dor vem como prazer,
a saudade como excitação,
a parte como o todo,
o instante como eterno.
E, atenção, não falo de masoquismo; falo de um espírito do tempo.
É bom sofrer uma metafísica passional,
é bom a saudade, a perda, tudo,
menos a insuportavél felicidade.
Tudo bem buscarmos a paz e sossego,
tudo bem nos contentarmos com o calmo amor,
com um "agapê",
uma doce amizade dolorida e nostálgica do tesão, tudo bem...
Mas, a chama emocionante só vem com a droga pesada do século 21:
- A PAIXÃO.
E isso é bom. Temos de acabar com a idéia de felicidade fácil.
Enquanto sonharmos com a plenitude seremos infelizes.
A felicidade não é sair do mundo, como privilegiados seres,
como estrelas de cinema,
mas é entrar em contato com a trágica substância de tudo,
com o não-sentido, das galáxias até o orgasmo.
Temos de ser felizes sem esperanças.
E tem mais: este artigo não é pessimista.
Texto retirado da crônica de Arnaldo Jabor
Publicação: 06 de Março de 2007 - O estado de São Paulo